O Artista

   arnaldo-antunes

       ”O  papel do artista é iluminar a cena e não só ela: iluminar a alma alheia. Instaurado em meio a vida, o caos predomina em esferas distintas da experiencia humana, sobre as quais o artista deve se posicionar, cabendo-lhe, se necessário, a coragem da não aceitação. Seja por sensibilidade, seja por dissonância , o artista é um ser incomum, sedento e que não se contenta meramente com a matéria, uma vez que deseja a essência.  Sua busca, porém, tende a ser inglória, dada a insatisfação criativa que movimenta seu talento.
Se a melhor forma de convívio com a arte é  a interação direta com ela, por meio de sua apreciação e fruição, não se pode negar que ouvir um artista é sempre uma oportunidade bem-vinda. A reflexão sobre uma trajetória , as escolhas feitas, os enganos cometidos, o sentimento de que se avança ou recua em meio a um projeto crítico e inventivo maior podem encontrar na palavra um espaço capaz de ampliar o vínculo entre o artista e o público”.   

 

Fragmento do Livro ” Farõis no caos” 
Por: Danilo Santos de Miranda